Menores de idade, Maiores em preocupações

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   Olá meus queridos! Hoje decidi trazer um tema um pouco mais sério. Quero começar por dizer que não sou “mãe” oficial porque ainda não trouxe ao mundo nenhuma criancinha, mas entre os meus alunos ao longo dos últimos 11 anos, as sobrinhas, a afilhada e, mais recentemente a enteada, acho que tenho cumprido esse papel melhor do que muitas parideiras por esse mundo fora.

Todos nós já fomos crianças um dia – às vezes sinto que ainda sou – fizemos asneirolas várias, levámos os nossos pais a uma espécie de loucura temporária, dissemos mal da nossa vida e chorámos sem vontade alguma só para que eles  tivessem peninha de nós e não nos obrigassem a comer aquelas coisas que, segundo o nosso vasto vocabulário “sabe a puns e baba de cão…sabe a ranhoca preta….sabe a papel e ovos podres”.

   Contudo, sinto que nos dias que correm as crianças passaram literalmente a governar a casa. Já não são os pais que ditam as regras, que decidem o que é melhor para os seus rebentos.  Ao que parece já não existem “encarregados de educação” até porque esta última tem vindo a decrescer até ao ponto em que parece estar a desaparecer, tal animal em vias de extinção. De quem é a culpa, sinceramente não sei e pouco me importa , como sempre tenho cá a minha opinião mas não acho particularmente relevante estar a apontar dedos quando o importante será pensar como podemos dar a volta à situação.

   O que me faz mais confusão é: o que aconteceu ao poder do Não?! Desde quando é que dizer não deixou de ter significado ou passou a ser um meio sim? E porque é que nos tornámos papagaios a ter que repetir “não” várias vezes, cada uma delas acompanhada por uma expressão diferente como se de uma aula de representação se tratasse? E com que idade é que as nossas crianças deixam de o ser? Eu pensava que até aos 15 essa era a denominação correta  e depois até aos 18 seria a adolescência, essa fase tão perturbadora para ambos, pais e filhos. Ao que tudo indica andamos todos enganados e a partir dos 11/12 eles já são adolescentes, dotados de uma sabedoria de rua inquietante e um conhecimento do Mundo surpreendente…. ou pelo menos isso é o que eles pensam; é o que muitos pais e educadores parecem ter assumido como verdades incontestáveis. Sinto-me defraudada quando falo com uma CRIANÇA de 12 anos e ela me diz: “sinto-me perdida, não sei o que ando aqui a fazer e quero descobrir o sentido  da vida”… Serei só eu a ficar mais preocupada com isto do que com a tão famosa temática do assédio?

   Pior, é que tornam-se fisicamente e abertamente “crescidos” mas emocionalmente atarracados mais cedo, e assim ficam até cerca dos 30 anos. Sem grandes aspirações, inaptos para lidarem com frustrações, com nãos, com desilusões. Presos a um mundo digital e surreal onde nada nem ninguém é o que parece, nem eles próprios. Será uma palmada uma acção assim tão condenável? Eu era fresca e por isso as 2 palmadas que apanhei em toda a minha vida foram mais do que suficientes para me marcar. Negativamente? Claro que não. Foram necessárias, certeiras e posso garantir que nunca mais voltei a repetir as mesmas graçolas. Tive (e ainda tenho) uns pais fora de série – não quero com isto dizer que eram perfeitos, mas acima de tudo sempre foram abertos, claros, compreensíveis e exigentes , dependendo do carácter da situação. Hoje vejo pais terem medo de exigir as mais pequenas coisas, recearem educar por não quererem “limitar” as possibilidades ou machucar os sentimentos da criança. Por outro lado vejo falta de vontade em compreender, em conversar e questionar – em vez de ignorar ou atacar, estes muito mais comuns atualmente – vejo educadores e pais esquecidos que também eles já foram crianças, já calçaram os mesmos sapatos, chapinharam as mesmas poças, subiram os mesmo degraus e portanto sentiram os mesmos sentimentos (peço desculpa a redundância mas é isto mesmo).

   Já assistiram a um miúdo de 10 anos a atar o sapato? Ou a por a mesa? Ou a tentar estudar? Obviamente que não se aplica a todos, e sei que a palavra que vou usar é potentosa, mas parecem uns incapazes… Indivíduos inaptos. Não sabem fazer as tarefas que consideramos deveres mas também não conseguem ser mais crianças, que brincam na terra, que constroem coisas, que usam a sua criatividade das mais variadíssimas formas, que sonham e aspiram, que brigam com os colegas por um brinquedo. Como hão-de eles brigar se já mal comunicam entre si pois estão sempre com os olhos enfiados nos telemóveis e tablets?

   Ninguém nasce ensinado, nem podemos adivinhar o que vai nas cabeças uns dos outros mas bolas…. se conseguimos aprender a trabalhar com todos os gadgets, tantas vezes inúteis e idiotas, que nos rodeiam, ou a dominar doenças, criar novas formas de contornar a metereologia para termos moranguinhos frescos todo o ano, ou a tornar o mundo cada vez mais híbrido, querem dizer-me que não conseguimos equilibrar a linha entre o amor e carinho  com que abraçamos as nossas crianças e a responsabilização pelas más atitudes,  ou a interiorização das palavras respeito, certo vs errado?

   Bom, desculpem-me o texto enfadonho e longo, mas está na altura de deixarmos de ter medo e recuperarmos o nosso poder enquanto adultos, pois só assim poderemos criar jovens fortes, originais, felizes, confiantes e prontos a enfrentar um Mundo já de si tão cheio de rasteiras. Enjoy 🙂

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