Mães vs Parideiras

   Bom dia caríssimos! Que tal esse fim-de-semana? Por aqui foi muito tranquilo, sempre a desejar que o Verão chegue.

   O tema que vos trago hoje não é dos mais bonitos ou fáceis de falar. É talvez dos que me toca mais, principalmente perante as atrocidades que vejo e ouço com uma frequência assustadora. Quero antes de tudo fazer uma ressalva: este texto diz meramente respeito a todas as mulheres (não que os homens não tenham o seu quinhão de culpa, mas neste caso mulheres) que em algum momento da sua vida ESCOLHERAM, sim escolheram porque foi-lhes dada a opção de terem filhos, trazer uma criança ao Mundo, e por alguma razão que para mim é totalmente desconhecida e incompreensível, ao fim de algum tempo “aborreceram-se” com os seus deveres e novamente ESCOLHERAM negligenciar ou maltratar  os seus filhos.

   Há uns tempos escrevi um texto que agora republico aqui:

Quer ter um rendimento mensal extra durante 18 anos, por apenas 9 meses de trabalho?
Candidate-se já ao cargo de PARIDEIRA!!!
Funções:
– Comece por procurar o macho que servirá de pai e seja inteligente na escolha visto que serão os rendimentos dele que ditarão o valor da sua renda mensal extra;
– em seguida carregue a sua cria por 9 meses, findos os quais deverá decidir quem irá efectivamente educá-la;
– peça a guarda da mesma; atenção que este passo é apenas uma mera formalidade perante a lei para garantir o tal rendimento;
– como medida de segurança extra, tente arranjar algum argumento/segredo sobre ele que lhe garanta total disponibilidade do mesmo perante os seus caprichos;
Regalias:
– receberá todos os meses na sua conta o montante acordado sem ter que fazer algo por isso;
– receberá ainda outros bónus como abono por parte da segurança social e ainda poderá beneficiar da dedução de despesas feitas pelo pai para a sua cria, no seu IRS;
– terá todos os direitos de uma mãe mas sem nenhum dos deveres;
– não se preocupe com idas ao médico e/ou farmácia, (eventualmente alguém a levará por si e tratará de adquirir os medicamentos/tratamentos necessários), preparação de testes, reuniões ou festas de escola (certamente que a criança não irá levar a mal a sua total ausência daquilo que realmente importa na vida dela);
– quanto a férias não se preocupe pois bastar-lhe-ão 2 dias de férias com a cria ao longo de todo o ano para parecer que está a cumprir primorosamente as suas responsabilidades parentais; afinal de que vale ter férias se for para ter que aturar os filhos?!
Inscreva-se já e não se esqueça de analisar bem os extractos bancário do macho, assim como “deslumbrar” os amigos em comum para que mais tarde eles não hesitem em apoiá-la, no caso de alguém ter a ousadia de a acusar de ser “má mãe”.

   Bom, desde já peço desculpa se tudo isto vos parece muito leviano. Mas sim, é minha intenção ferir susceptibilidades e trazer à luz um assunto que cada vez me parece mais recorrente, mas ainda assim poucos são os que o debatem ou sequer mencionam abertamente. Quero também explicar, para os que ainda possam viver na Idade da Pedra que, parir um filho não nos dá automaticamente um Certificado de Mãe incontestável. Ser mãe/pai é talvez a tarefa mais difícil do Mundo e não, não existem mães/pais perfeitos porque o ser humano é, por definição um ser imperfeito. Contudo, isto não dá o direito de negligenciar ou maltratar uma criança só por vingança ao pai, ou porque se cansaram de ter responsabilidades ou porque afinal o casamento não resultou e portanto a criança passa a ser um empecilho a uma nova relação.

   Ainda não pari, sim, ainda não tive direito a essa honra maravilhosa, mas e então? Tenho sobrinhas, afilhada, enteada, e 11 anos de alunos entre os 5 e os 18, que me diz que ser mãe é estar presente, é dar a mão, é impor regras e saber dizer que não pois é isso que eles vão encontrar no futuro. É rir com eles e incentivá-los a nunca desistirem daquilo em que acreditam, mas acima de tudo prepará-los para as desilusões e as dificuldades inerentes ao “estar-se vivo”.

   Assim, peço encarecidamente que deixem cair a frase “Tu não és mãe não percebes”. Não é que esta seja despropositada reconheço, mas parem de colocar todas as mulheres que já tiveram filhos numa espécie de pedestal  que as torna intocáveis, dando a algumas quase “carta branca” para que se assumam como donas da verdade e lhes permita sair impunes, perante a sua total falta de respeito pela vida que elas próprias, a certa altura, ESCOLHERAM trazer ao Mundo.

   Espero sinceramente que entendam o que aqui escrevi, pois a ideia será enfiar a carapuça a todas as parideiras a quem esta servir separando-as largamente das “mães” reais. Enjoy 🙂

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