Almoço à beira-mar

pedro manuel miranda 1
Pedro Manuel Miranda

   Holla, como están? Como sabem, ou se não sabiam ficam a saber, sou uma hiper fã da praia, portanto hoje decidi dar-vos a conhecer a “minha” praia e melhor, um sítio muito especial para poderem desfrutar de uma relaxante e saborosa refeição à beira-mar.

   A praia de que vos falo é São Lourenço, situada a 7km da Ericeira (essa bela terra) no concelho de Mafra, a apenas 30m. de Lisboa. São Lourenço é uma micro vila, extraordinariamente pacata com uma mão cheia de casas, maioritariamente de férias, onde eu passava todos os verões com os meus avós, onde recebíamos a família de Braga, onde celebrávamos aniversários e passagens de ano, onde eu pude ser uma criança livre, que ia descalça até à praia dar um mergulho e dizer olá aos amigos para algum tempo depois ouvir o meu avô Alfredo tocar a sineta que me avisava que o almoço estava pronto. Infelizmente já não temos a casa que ele lá construiu e que era, e ainda é, a melhor de todas pois estava literalmente por cima da Foz do Safarujo e frente-a-frente com aquele grandioso mar, cujas ondas integram a Reserva Mundial de Surf da Ericeira e são muito procuradas por surfistas e praticantes de stand up paddle.

fotos: Luís Santos – fotografia

foto: Gonçalo Henriques

   São Lourenço não é só mais uma praia, é parte de todos aqueles que têm a sorte de a conhecer como eu conheço, com os dias de calmaria exótica e o fundo do mar à vista, ou as tempestades dantescas que por lá passam e arrasam o areal, enchem a foz de tal maneira que a única solução é abri-la em direcção ao mar tingindo-o de um tom mesclado entre o azul esverdeado (ou verde azulado vá) e o castanho vindo da foz. Em baixo deixo-vos o que foi, quando ainda se chamava Santa Susana ou não fosse o Forte do mesmo nome, e o que é agora, cortesia de Gustavo Bessa Monteiro, que ao ver o meu post no grupo da Praia de São Lourenço do facebook, gentilmente partilhou comigo esta composição.

                      Gustavo Bessa Monteiro

   Não há muito que fazer por estes lados a não ser apreciar um contacto total e despido de modernismos, com a natureza. Há chorões por toda a parte, miradouros secretos e até uma mini gruta perto da ponte que dá outro acesso à praia, para quem não quer ou não pode dar uso aos 132 degraus da escadaria principal. Acima de tudo há uma proximidade entre os que por lá se demoram, sim porque é impossível estar só de passagem. Lá conheci o meu primeiro amor (ainda que platónico), fiz amizades, vi gente famosa, assisti a filmagens de novelas e casamentos, competições desportivas, concertos e até golfinhos darem à costa. Quando penso na minha infância, são estas as memórias que assaltam e depois é impossível não sorrir, ao lembrar-me de como eu e o meu avô nos muníamos de uma lanterna e um frasquinho de vidro, para irmos à caça de bichinhos nas flores e plantas do jardim durante a noite, ou como eu fazia a festa sozinha quando criava circuitos mirabolantes ao estilo Jogos sem Fronteiras ou montava o meu próprio restaurante com mesas, talheres, menus e todo um menu fabulástico de comidas feitas de areia, farinha, flores, massas diversas que roubava à minha avó.

   Outro dos símbolos que me fará sempre sentir em casa é o restaurante Golfinho Azul (www.facebook.com/restaurantegolfinhoazul/). Lá ao fundo, depois das casas, vê-se um espaço que se foi adaptando aos tempos e aos requisitos das modas de hoje. A decoração mudou, os antigos donos Vasco e Mena deram lugar a novas caras que trouxeram melhorias a vários níveis mas sem quebrarem o espírito daquele lugar. Há noites de Jazz no Verão, há menus especiais para celebrar datas especiais, há espaço para eventos, mas mais do que tudo isso, há o barulho das ondas a rebentar na areia, o som das gaivotas que por ali sobrevoam, e do riso das crianças a brincar nas poças e nas rochas da “prainha” como eu lhe chamava – é uma das 2 mini-praias separadas do areal principal por rochas e uma montanha de razões para ir à descoberta de pequenas criaturas marinhas escondidas (como por exemplo as vacas do mar… e esta, hein?!), o que faz com que nunca se saiba muito bem o que iremos lá encontrar, qual desígnio do Rei Mar que, dependendo da sua disposição, ora permite a passagem a estas 2 pérolas, ora as desnuda de areia como que a dizer: “Desta vez não, vão brincar para outro lado”.

fotos retiradas do site

   Sendo esta uma zona onde a cada 200 mts há uma marisqueira, e conhecendo eu a maioria delas – principalmente em Ribamar – posso com toda a sinceridade dizer que esta é a melhor! Despretensiosa mas com um look convidativo e acolhedor, tem zona de refeição interior e exterior, apresenta-nos comidas facilmente identificáveis, com ingredientes frescos e um sabor que……..meus amigos, é quase uma luta entre o nosso bom-senso que nos alerta para o facto de o botão de cima das calças estar desesperado por abrir, e a gula insaciável que não nos permite parar de comer aquele arroz de marisco divinal! Seria vasto o rol de adjectivos que podia usar para descrever a comida, o atendimento e a decoração, mas prefiro convidar-vos a visitarem e criarem vocês próprios a vossa experiência sensorial.

   Não me posso despedir sem antes agradecer aos membros do grupo Praia de São Lourenço (www.facebook.com/Praia de São Lourenço) por me permitirem usar as suas fotos,  e dizer que há muitos outros locais tão especiais quanto este, mas para mim só o meu São Lourenço faz parte daquilo que sou e me transformei, e conta parte da minha história e deste meu Mundo da Carochinha.

   Enjoy 🙂

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s