Uma viagem (quase) inesquecível

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   Hello my peeps! Aposto que pensavam que já não voltava mais – e quase conseguiam – mas cá estou eu inteirinha e com muito para vos contar.

   Como já vos tinha dito, no sábado dia 24 de março embarquei numa viagem à Irlanda com alunos da escola de línguas onde lecciono. Até aqui tudo bestial, o pessoal estava animado, tudo em ordem e sem atrasos, como éramos mais de 50 as nossas malas foram para o porão gratuitamente e conseguimos passar pelos guichets todos com bastante rapidez e sem stress.

   No avião tivemos o nosso primeiro contratempo aliás, devo desde já explicar que se não fosse pela falta de profissionalismo e absoluta incompetência da companhia aérea Aer Lingus, esta viagem teria sido imperfeitamente perfeita. Mesmo numa viagem de apenas 3 horas, mas a qual acontece durante horas de refeição, espera-se que haja qualquer coisinha para comer, ainda que tenha que ser paga à parte. Contudo, apesar de nos darem indicações para que escolhêssemos o que quiséssemos da lista por eles concebida, iam eles ainda a meio do corredor quando nos foi dito que já não havia nenhum tipo de sandes, dos 4 possíveis. Pois que ficámos reduzidos a scones e batatas fritas, só tendo podido voltar a comer já perto das 16h.

   Aterrámos, um dos alunos pensara ter ficado sem mala pelo que passámos algum tempo no balcão da bagagem, apenas para depois virmos a encontrá-la no tapete inicial à nossa espera (adolescentes, nunca prestam atenção a nada). Entretanto os nossos autocarros aguardavam-nos algures num parque que ninguém conseguia achar. Já super atrasados, lá descobrimos o BUS e pudemos seguir para os respectivos hostels.

   Nesse dia já não conseguimos visitar nada de cultural, pelo que nos limitámos a passear pelas redondezas até irmos para o nosso primeiro jantar, este temático. Foi no Irish Dance Party (www.irishdanceparty.com), uma escola de dança que organiza jantares de grupo. A comida não me impressionou pois ofereceram-nos apenas algumas bandejas com um amontoado de fritos e sumos com 95% água e 5% xarope de qualquer coisa. Apesar disso o nosso entusiasmo (e a fome) era tanto que não desanimámos e seguimos prontinhos para a nossa aula de danças irlandesas. Foi uma noite divertida e diferente que nos deixou em altas para o que viria nos dias seguintes.

   Nos dias que se seguiram, (25, 26 e 27) vários foram os locais que visitámos e sinceramente senti que aprendi imenso sobre a História e Cultura daquele país. Fizemos todas as nossas deslocações a pé, não só porque nunca foram distâncias muito grandes (máximo que andámos seguido foram 30 min.) mas também porque o tempo assim nos permitiu, isto porque esteve quase sempre sol, fora umas tímidas pinguitas.

   De uma forma muito geral passámos pelo EPIC – the Irish Museum, um museu totalmente interactivo, muito estimulante e apelativo para os miúdos e que cruza as diversas áreas que constituem o país.

   No Jeanie Jonhston Tall Ship pudemos visitar o interior de um barco cuja função era transportar madeira (réplica obviamente) mas que por alturas da Grande Fome da Batata na Irlanda fez 16 travessias, carregando entre 150 a 250 pessoas de cada vez e  conseguiu não só não perder nenhuma vida como trazer ao Mundo um bebé.

      Fomos também conhecer a DUBLINIA, um local onde pudemos experienciar o estilo de vida Viking e Medieval. Pudemos ter um vislumbre do que foi a época Medieval e de como os Vikings viviam, fizemos jogos de cheiros, vestimos malhas de aço com o respectivo capacete para batalhas e subimos os 400 gaziliões (na verdade foram só 96) de degraus que nos levaram à Torre St. Michael.

   Na 2ª feira dia 26 começámos a manhã pelo Castelo De Dublin. Para a maioria de nós, e sendo que imos de um país que tem uns quantos castelos, aquilo mais pareceu um Palácio, pois não tinha a magnificência ou arquitectura de um Castelo à sério, ainda assim, foi engraçado imaginar os bailes que lá se realizaram.

   Passámos pelo Temple Bar, um zona de comércio e restauração que tem um dos bares mais famosos de Dublin, com o mesmo nome dessa mesma área. Por lá tirámos algumas fotos, fizemos comprinhas e cantámos muito em português – os nossos caríssimos alunos adoravam passear ao som das mais variadas músicas pimba.

   Como disse, o São Pedro até foi um porreiro e lá foi garantindo que o tempo estava bom o suficiente para passearmos a pé. Porém, o frio era lancinante e muito seco pelo que era obrigatório o uso de gorros, luvas e cachecóis como complemento de toda uma série de camisolas quentes.

   Terminámos a nossa jornada cultural com visitas ao Museu de História Natural e à Galeria Nacional. No primeiro vimos uma quantidade infindável de espécies animais embalsamadas, o que nos permitiu adquirir todo um sem fim de vocabulário. Já no 2º pudemos apreciar obras de arte como pinturas e esculturas de alguns dos mais famosos e reconhecidos artistas mundiais, como Renoir e Picasso.

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   Tentámos visitar o Museu do Duende, mas infelizmente o tempo escasseou e portanto tivemos que desistir. Foi giro ir percebendo algumas das diferenças culturais entre Portugal e a Irlanda. Começando pelos horários (na Irlanda até os centros comerciais fechavam cedo) e acabando na comida, era fácil perceber que não estávamos na nossa terra. A base da alimentação irlandesa eram os fritos e os molhos, tanto que no 2º dia os próprios alunos já pediam fruta e a sopinha da mamã. Pelo menos pude finalmente experimentar o tão famoso Fish&Chips, e confesso que gostei bastante. De resto foram muitos hambúrgueres, batatas fritas e pão.

No dia 27, lá fomos todos para o aeroporto, desejosos de voltar a casa. Estávamos felizes mas cansados, e as saudades eram já muitas. Entrámos no avião e um dos alunos sentiu-se mal. Um daqueles mal-estares passageiros de quem andou a comer muita porcaria num curto espaço de tempo. Ainda assim no espaço de 5 minutos, esse aluno e eu fomos literalmente expulsos do avião e enquanto o resto do grupo seguiu para Lisboa, nós ficámos para trás. Assim do nada, foi como se me tivessem puxado o tapete e eu tivesse dado um tombo tão grande que fiquei em choque. O certo é que tive que me reerguer e descobrir qual o passo seguinte.

   Tive que ir ao hospital com o miúdo de modo a obter uma declaração do médico em como ele estava apto a voar. Quando viram o rapaz, quer os médicos e enfermeiros foram unânimes na incredulidade com que me perguntaram: “Mas não o deixaram embarcar porque estava mal-disposto? Mas ele está óptimo.” Após algumas horas nas Urgências, regressámos ao aeroporto pois a minha preocupação era garantir o voo no dia seguinte. Infelizmente o guichet da Aer Lingus estava encerrado e só voltaria a abrir às 3 da manhã. Isto significava duas coisas: que ainda não tinha a certeza que iríamos voltar para Lisboa dali a umas horas e que teríamos que dormir no aeroporto. À hora marcada lá fomos par ao balcão, mas ao que tudo indica, a informação que nos tinham fornecido quanto ao horário estava errada e afinal só seríamos atendidos às 4 horas. Assim foi, esperámos mais 1h, sem contar com o atraso das funcionárias da companhia, e quando finalmente nos atenderam o sistema estava com dificuldades pelo que teríamos que regressar às 7 da manhã. Entretanto, pouco ou nada se dormiu pois entre o desconforto e o stress inerente à situação, eu só queria ter na minha mão o bilhete de regresso. Finalmente, lá conseguimos as reservas e depois foi esperar até às 15h, hora em que fomos fazer o check-in e passar novamente por todas as barreiras que nos afastavam e ao mesmo tempo aproximavam  da nossa Lisboa.

   Às 18.50h o avião finalmente levantou voo e aí sim, o meu coração sossegou. Entre  fome e a excitação continuei sem dormir, e para ajudar à festa, a nossa chegada foi atribulada e meio estranha na aterragem. Ainda assim já cá estávamos. Faltava apenas passar as máquinas, pegar na mala e abraçar os que cá fora nos esperavam. Acho que nunca na minha vida me tinha sentido tão assustada. Nem foi bem o ficar lá, mas sim o ficar sozinha com um aluno à minha responsabilidade, com a obrigação de me manter calma e ter que tomar decisões não só pensadas para mim mas também, para o que era melhor para ele.

   Uma coisa tenho por certa, nunca mais voarei nesta companhia aérea. Não só por todas as pequenas coisas em que se viu a incompetência, mas acima de tudo pela forma fria e monstruosa como nos foi negado o embarque e dito: “agora arrangem-se”.  Ainda assim, é mais um país a riscar do mapa cheio de pessoas indiscutivelmente simpáticas (com excepção das pertencentes à Aer Lingus), mais uma experiência com muita aventura e uma lição quanto ao que não fazer quando estamos prestes a embarcar. Por tudo isto só posso dizer: Farewell Ireland!!! Enjoy 🙂

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