Um retrato de mim

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   Quem sou eu? É algo que nos perguntamos com frequência. Pelos mais diversos motivos, todos enfrentamos invariavelmente momentos, em que nos questionamos sobre a nossa existência e propósito neste astro giratório de nome Terra.

  Desde cedo que percebi que nunca iria ser igual aos outros, aliás, nunca iria ser igual a ninguém. Não me entendam mal, não me considero superior ou inferior a quem quer que seja, apenas diferente, apenas eu.

   Sendo que para a maioria de vós sou uma perfeita desconhecida, hoje decidi levantar a pontinha do véu de 10 metros que me cobre e afasta de olhares mais indiscretos. Assim sou eu, uma balança na pura acepção da palavra, qual malabarista que leva a sua vida num constante cordelinho entre opostos e dualidades.

   Estou bem longe da perfeição mas a bem da verdade, é algo que não almejo nem para mim, nem para os meus. Sou alguém para quem o ideal idiota do ser perfeito é extenuante e despropositado. Ninguém no seu completo juízo terá intenção de seguir sempre um caminho recto e coerente, sem inconsequências ou despautérios. Não, não, não! Mal comparado, isso seria uma espécie de utopia distópica em que tudo e todos eram exactamente e infalivelmente iguais e portanto enfadonhamente monótonos.

   Sempre fui muito dona do meu nariz. Já dizia o meu avô Alfredo, e repete-o agora a minha Maria da Glória que “Se não nascesses tinhas que ser inventada” e eu gosto de acreditar que assim sou eu. Sou o produto de várias experiências levadas a cabo por um cientista alucinado, que ao tentar combinar qualidades e capacidades, deu origem a um micro Big-Bang de palermices e azares do qual saí eu!

   Entre mil e um defeitos, sou sincera (para alguns até demais), simpática, teimosa, muito aparvalhada, muito senhora da sua opinião e das suas ideias, com uma terrível capacidade de oratória (para o bom e para o mau), amiga, chorona, irritantemente brincalhona, por vezes um autêntico “calhau com olhos”. Sou alguém que na verdade sempre esteve à frente da sua idade, mas que ainda hoje pensa como os garotos de 5 anos, pelo que conversas sobre puns e cócós não me afligem ou enojam de todo, pelo contrário, podem até ser bastante produtivas.

   Leio tanto quanto me mergulho em programas de trivialidades. Adoro aprender sobre tudo o que me desperte o interesse, o que transformou o meu cérebro num saco sem fundo de informação aparentemente inútil. Adoro novas tecnologias e estou em constante reciclagem sobre as mesmas mas às vezes parece que sou inundada por um tsunami de burrice aguda, e olho para os gadgets e aparelhos tecnológicos em geral como se de um ser alienígena se tratasse.

   Nem sempre a minha convivência comigo própria foi assim tão pacífica entenda-se. Ainda hoje, olho muitas vezes para mim mesma com um ar de reprovação meio trocista, e que se personificado em desenho seria algo digno de uma criança de 4 anos! Ainda assim, aprendi que isso não tem que ser um drama. Tudo o que há em mim, de bom e mau, faz-me ser exactamente a pessoa que sou, e sinceramente, do que conheço da minha pessoa, não mudaria uma vírgula.

   Ninguém no Mundo nos irá amar como nós mesmos temos o dever de fazer. Os outros serão sempre os outros, e aceitarmo-nos pelo que somos, pelas escolhas que fizemos e os caminhos que tomámos, garantindo sempre que mantemos o nosso amor-próprio e individualidade bem aconchegados, assim como o nosso sentido de auto-respeito devidamente nutrido, fará com que caminhemos de cabeça erguida e tenhamos a coragem suficiente para experimentar, errar e recomeçar.

Quote

 

 

 

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